La Ragazza


Por Dalton Rothen

 
 
Um momento em que me sinto muito empolgado em minhas palestras é quando, ao falar sobre a afetividade, mais especificamente sobre o casamento, apresento a diferença entre paixão e amor. O alívio que algumas pessoas experimentam é notório. Para algumas trata-se de uma redescoberta.

 

O mito do amor moderno, aquilo que a maioria de nós acredita espontaneamente, diz que se você encontra a pessoa certa e apaixona-se por ela, se esse amor for verdadeiro vocês devem se casar e essa sensação irá durar para sempre. Mas se por acaso essa paixão acabar deve-se concluir que o amor não era verdadeiro e devemos partir em busca de outra paixão.

 

Acontece que paixão eterna é biologicamente impossível. O cérebro humano não permite paixão inacabável.

 

A paixão é um estado alterado de consciência que gera prazer ao cérebro. Em qualquer experiência intensamente prazerosa ocorre secreção de dopamina - substância química responsável pela transmissão de sinais na cadeia de circuitos nervosos. Poderíamos dizer que a pessoa apaixonada fica "enlouquecida". Ela coloca o seu objeto de paixão num verdadeiro pedestal, só pensa nele, não vê a hora de estar com ele e quer viver com ele para sempre. Em especial, a primeira fase da paixão é muito intensa. Quando apaixonado, o indivíduo segrega uma quantidade muito grande de dopamina que inunda seu cérebro. A química cerebral se desequilibra. E o que faz o cérebro? Procura imediatamente restaurar o equilíbrio. Com isso, quimicamente, compensa o excesso de dopamina, gerando aquilo que chamamos de tolerância. É semelhante ao que ocorre quando as pessoas usam drogas ou substâncias que de alguma forma provocam euforia.  Ao criar a tolerância, há necessidade de mais "droga" para provocar o mesmo efeito. Desta forma, após passar pela fase de pico, a tendência do fogo da paixão é perder intensidade.

 

No ciclo do processo da paixão há dois riscos: 1) quando no pico, a pessoa pode tomar decisões que venham a comprometer toda sua vida. Haidt (2006) diz que nesta fase ninguém deveria pedir alguém em casamento ou aceitar casar-se com alguém; e 2) no arrefecimento da paixão, pode-se achar que era tudo uma ilusão e romper prematuramente uma relação que poderia dar certo.

 

A primeira conclusão é que paixão não se transforma em amor. Paixão e amor são processos completamente diferentes. O processo do desenvolvimento do amor começa lentamente e vai se desenvolvendo com o tempo de forma ascendente. Você não ama alguém intensamente assim que a conhece. É semelhante ao amor que o pai devota pelo filho que nasce. Aos poucos vai se estabelecendo um vínculo que na maioria dos casos se tornará muito forte.

 

Você conhece alguém, começa a conviver com essa pessoa e descobre que tem valores similares, identificações e muitas diferenças em relação a ela. O convívio leva às descobertas. Estabelece-se um relacionamento e aumenta a afetividade. Em seguida, ambos começam a fazer projetos juntos e decidem se casar. A vida do casal vai trazer inúmeras possibilidades. Juntos passarão momentos bons e felizes mas também terão que vencer muitas dificuldades. O processo se desenvolve de forma que vai havendo um verdadeiro entrelaçamento entre as vidas, até mesmo uma cumplicidade. Amar é olhar em direção ao outro, dialogar, perdoar, compartilhar, dar-se de maneira intensa. Quanto mais intensamente as pessoas se dão, mais profundo é o amor que se estabelecerá entre elas.

 

Qual é a função da paixão? Atrair. Juntar inicialmente duas pessoas. Dar a elas a oportunidade de vencer alguns passos iniciais sem o "uso" da razão. Faz com que sejamos ousados, quebremos algumas barreiras e avancemos alguns sinais vermelhos. Porém, uma pessoa apaixonada indefinidamente, com a razão suprimida pelo sentimento enlouquecido, não teria muitas chances de sobrevivência, de forma semelhante à que acontece com um "drogado".

 

Qual é a função do amor? Estabelecer um vínculo duradouro e uma vida significativa. E quando as pessoas percebem que sua constituição biológica não permite paixão eterna, elas retiram de si um grande peso - e até mesmo um certo sentimento de culpa: "Eu amo minha mulher (ou meu marido), mas aquela paixão inicial não existe mais". É como se tivessem perdido algo, como se o "amor" passasse a não ter qualidade. E não é nada disso. O verdadeiro amor é muito diferente da paixão. Uma relação para sempre é aquela que vem com o amor e com uma certa pitada de paixão.

 

Se esta revelação trouxe para você um certo alívio, e neste momento você não vê a hora de chegar em casa e dar um beijão no seu amor, já me sinto recompensado por este artigo.

 

E aqui podemos fazer um paralelo com o mundo corporativo. Muitos pregam que o grande funcionário é aquele que trabalha com paixão, com grande envolvimento profissional. Você já deve ter ouvido esta pregação.

 

Conforme vimos, a paixão é um processo intenso, porém instável e de curta duração. Assim, quem quer viver repleto de paixão precisa se apaixonar sempre. Ou seja, mudar de parceiro, mudar de empresa, mudar de projetos e assim por diante. Ninguém vai engajar alguém fazendo com que ele se apaixone pela carreira, pelo projeto, pela empresa etc. A Psicologia Positiva, psicologia do século 21 e voltada para o desenvolvimento do ser humano normal e excelente, preconiza que o indivíduo só irá se realizar plenamente se colocar as suas forças pessoais em ação nas várias áreas da vida que valoriza (Seligman, 2002).

 

A tristeza é natural, você não precisa fazer nada para ficar triste. E se não fizer nada também ficará triste. Já a alegria precisa ser construída. Para ser feliz e realizado, o indivíduo precisa desenvolver seus dons e colocá-los a serviço de algo significativo. E aqui o paralelo com o amor é inevitável. A recompensa maior que alguém pode ter em seu trabalho e nas demais áreas de sua vida que valoriza é fazer alguma coisa que valha a pena. Para se sentir bem a pessoa precisa fazer algo que esteja de acordo com suas forças pessoais, represente um desafio e esteja voltado para um futuro melhor.

 

Agora, cabe a nós decidir: vamos estimular em nossas vidas e em nossas empresas muita paixão ou muito amor?

 

Referências:

  • HAIDT, Jonathan. Uma Vida Que Vale a Pena. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2006.
  • SELIGMAM, Martin E.P. Felicidade Autêntica. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

 

Dalton Rothen
empresário, psicólogo consultor, autor do livro "Para uma vida melhor" e coordenador técnico do prêmio EPS-Revista GESTÃORH.
 


Escrito por La Ragazza às 17h08
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Perguntas... perguntas...

 

  1. Quem sou eu?
  2. O que eu preciso?
  3. O que eu quero?
  4. Como estou?
  5. O que eu penso?
  6. O que eu sinto?
  7. Eu gosto mesmo de mim, do jeito que eu sou?
  8. Como deveria ser?
  9. Eu estou bem comigo mesmo e com os outros?
  10.  Como esta a minha auto – estima?
  11. Em que acredito?
  12. Por que eu acredito nisso?
  13. O que eu faço (faria) para sustentar ou proteger a minha crença?
  14. Quais são as minhas dificuldades?
  15. Estou sempre preparado para os problemas possíveis?
  16. Sempre antecipo o pior das hipóteses?
  17. Qual é a pior coisa que poderia me acontecer?
  18. O que eu posso fazer para garantir que não aconteça?
  19. O que farei caso aconteça?
  20. Quais são os meus sonhos?
  21. Eu tenho cultivado os meus sonhos?
  22. Quais são os meus projetos?
  23. Eu tenho curtido os meus momentos e as minhas conquistas?
  24. O que é importante no relacionamento afetivo, fraternal e comercial?
  25. No que estou divergindo ou convergindo na relação?
  26. O que estou fazendo para o bem da relação?
  27. Gosto do outro mesmo, ou só tenho interesse no que ele (a) vai me oferecer?
  28. O que ele (a) pensa de mim? O que ele (a) sente? Estou receptivo?
  29. Estou preparado para argumentar e aceitar novas condições?
  30. Sei falar e escutar o outro;
  31. Como estou fazendo o outro se sentir?
  32. Quais são os meus valores absolutos (Ter/Estar), e relativos (Ser)?
  33. Como esta a minha vida? Eu tenho vivido da melhor maneira possível?
  34. O que tenho feito de errado na minha vida? O que eu preciso fazer certo agora?
  35. O que tenho feito de errado em sociedade, como membro de uma equipe de trabalho, com os meus amigos e com a minha família? O que eu consigo agindo assim? Em que devo focar e acertar?
  36. Eu sou uma pessoa do bem ou do mal?
  37. Eu sou da paz ou da guerra?
  38. Eu estou no “céu ou no inferno” – aqui e agora?
  39. Quantas tristezas e prejuízos venho sofrendo por decisões inadequadas em minha vida?
  40. Do que me arrependo e não me arrependo de não ter feito e por ter feito?
  41. Por que não estou fazendo o bem para mim e para as Pessoas?
  42. Quantos benefícios e graças eu tenho alcançado por ser uma Pessoa do Bem?
  43. Eu tenho evoluído o meu espírito com as minhas escolhas?
  44. Eu uso todos os dons e virtudes da Projeção Divina que recebi ao nascer?
  45. Eu estou bem comigo agora por isso?
  46. Qual é a minha missão nesta passagem por aqui?
  47.  Eu estou motivado - Afinal, qual é minha? Em que realmente acredito?

 



Escrito por La Ragazza às 15h22
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

 

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

 

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

 

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

 

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto-conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

 

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!



Escrito por La Ragazza às 15h14
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o Amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar.

Encontrar alguém que faça bater o coração forte e que justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado. Tem algum médico aí?

Depois que acaba essa paixão retumbante, sobra o quê? O Amor!

Mas não o amor mitificado, que muitos julgam ter o poder de levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos: o sentimento que temos por mãe, pai, irmãos, filhos e amigos. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O Amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, cônjuge, ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos de sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram, te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto tem que haver muito mais que amor, e às vezes nem necessita um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor só não basta!

Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber relevar. Amar, só, é pouco!

Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que haver disciplina para educar filhos, dar exemplos, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar!

Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimonio tem que haver um pouco de silêncio, amigos da infância, vida própria, independência, um tempo para cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem: às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que a união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar, solamente, não basta!

Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta!



Escrito por La Ragazza às 14h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Jã... aí vai o link:

FUTURE ME



Escrito por La Ragazza às 17h01
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Italian, Informática e Internet
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog